Blog

O que Faz o Vale do Silício Tão Especial?

17 de outubro de 2017 - Inovação -

Ao redor do mundo, é provável que haja centenas de tentativas de criação do “próximo Vale do Silício” rolando. De fato, recentemente, o termo utilizado para nomear qualquer região emergente economicamente (e ligado a tecnologia) tem sido “o Vale do Silício do + nome do país ou estado”. Mas por quê?

Ainda sim, raramente vemos potenciais concorrentes do Vale. Por que muitas iniciativas não conseguem se equiparar ao Vale do Silício e porque o Vale é o que é (e criar o próximo Vale do Silício é sonho de tantos)?

Origem do Vale do Silício

O Vale está localizado na Baía de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos. Apesar de ser reconhecido mundialmente, não há uma oficialização da sua extensão ou quais cidades exatamente fazem parte dele. Isso acontece porque elas são muito próximas, o que às vezes dificulta a distinção entre cada uma.

mapa-vale-do-silício

Clique para ver imagem em tamanho real

Para desvendar os segredos do Vale, precisamos contar um pouco da sua história:

Os primeiros passos para o sucesso da região foram dados já em 1840, onde houve a descoberta de uma quantidade considerável de ouro em San Franscisco, o que atraiu pessoas de milhares de lugares para a costa oeste do continente norte-americano. Esse evento ficou conhecido como a corrida do ouro.

A corrida resultou no enriquecimento de muita gente, e quem não teve sucesso teve de começar a investir em outros negócios para sobreviver. Com isso, a cidade de San Francisco e as outras ao seu redor cresceram ligadas ao mundo do empreendedorismo e dos investimentos e, eventualmente, as universidades de Berkeley e Stanford foram fundadas em 1868 e 1885, respectivamente.

Ainda no final do século 19, o porto de San Francisco ajudou a região a se tornar um conglomerado da indústria emergente de telegrafia e rádio. Na década de 30, a marinha americana já passou a explorar a região, o que fez da região uma referência para a indústria aeroespacial, atraindo muitos cientistas e pesquisadores.

Já na década de 40, o surgimento das grandes empresas tech do Vale começou com Willian Hewlett e David Packard fundando a Hewlett-Packard, ou HP, que originalmente produzia osciladores. O início da HP ficou marcado por ter sido a tradicional “startup de garagem”, tendo a garagem sido imortalizada na cidade de Palo Alto após. Durante a Guerra Fria, a HP já trabalhava com radares e tecnologia de artilharia, o que foi um grande impulsionador da região.

Garagem da HP em Palo Alto, Vale do Silício

E o nome, de onde surgiu?

Nos anos 40, a região foi lar da invenção dos transistores, o que hoje conhecemos de processadores de computador. O interessante sobre eles é que, ao invés de feitos de Germânio, como usual, ele foi feito de Sílica (em inglês Sillicon). O nome mesmo pegou a partir da década de 70, quando, em 1971, o jornalista Don Hoefler escreveu um relatório de 3 partes sobre a indústria dos semicondutores, nomeando-o Sillicon Valley USA.

sillicon-valley-usa-report

Relatório Silicon Valley USA, 1971

E transistores e semicondutores se relacionam. No fim da década de 50, muitos empregados que participaram da criação dos transistores se juntaram à Fairchild Semiconductor, empresa que fabricava componentes de computadores (que na época ainda eram do tamanho de uma sala). Muitos, depois, saíram da empresa e empreenderam, fundando empresas como Intel, AMD e KPCB.

Outro marco interessante ocorreu em 1969, com o instituto de pesquisa de Stanford participando da origem da ARPANET, projeto de pesquisa do governo que se tornaria Internet depois.

Ainda nos anos 70, empresas como Atari, Apple e Oracle foram fundadas também na região, seguidas por eBay, Yahoo!, PayPal e Google, e depois Facebook, Twitter, Uber e Tesla nas décadas seguintes, e o crescimento da tecnologia na área continua até hoje como propulsor de tudo.

Innovation-Learning-Trip-Vale-do-Silício

O Ecossistema do Vale

Não podemos ressaltar o suficiente o quanto o cultivo de um ecossistema propício para a inovação é importante para a prosperidade de qualquer grande iniciativa relacionada ao tema.

De forma resumida, um ecossistema propício à inovação é onde há pessoas, empresas e organizações interagindo entre si com o objetivo de desenvolver projetos, formando um ambiente de aprendizagem e criação inovadora.

Claro que ele se parece com parques tecnológicos, incubadoras e aceleradoras, startups e colaboração, mas, por trás disso tudo, está o apoio que esse ecossistema requer do que chamamos de quádrupla hélice (governo, universidade, indústria, sociedade) para dar sustentação e gerar desenvolvimento e benefícios para seus quatro eixos.

Universidades

Não é segredo pra ninguém que as melhores empresas estão lotadas de gente boa.

O que dá grande apoio à região é a presença de duas das melhores universidades do mundo na região, que servem como uma espécie de ninho de talentos: Stanford e a Universidade da Califórnia em Berkeley (UC Berkeley).

berkeley-stanford-vale-do-silicio

Além do ensino de excelência, a cultura rebelde e dinâmica do Vale pegou nas universidades desde o início. Ambas instituições têm enfoque em empreendedorismo, com aulas que exigem mais participação e colaboração dos alunos.

No entanto, apenas ter boas universidades não compõe a fórmula de sucesso. As universidades são apenas a semente, que dependem de solo fértil.

Se gente boa é parte do segredo, alguns autores citam que o Vale depende de dois tipos delas: dos nerds e dos ricos.

A teoria é que nerds vão aonde há outros nerds, em particular, boas universidades é uma das melhores formas. Em todos os Estados Unidos, não há polos tecnológicos fortes sem a presença de boas universidades, e vemos isso no Brasil também.

Boas universidades, então, são parte do segredo para o Vale, que o torna uma espécie de imã de talentos, não só da região (com Stanford e Berkeley), mas um imã forte o suficiente para atrair gente do MIT e Harvard (no outro lado do país) e de fora do país – que fará o próximo tópico.

Diversidade Cultural

Um grande diferencial do Vale do Silício é ser habitado por pessoas de origens variadas, tendo uma população bastante heterogênea.

Em 2015, por exemplo, segundo o Silicon Valley Indicators, 37,5% da população do polo de inovação é estrangeira, o que equivale a quase o triplo do número de estrangeiros no país, que fica somente com 13,5%. Somado a isso, um estudo da Universidade de Duke, lá em 2005, concluiu que 52% das startups nos EUA eram fundadas por imigrantes e que estas geravam mais de 450.000 empregos na época!

Dessa forma, é interessante observar que a cultura do Vale do Silício não é devida exclusivamente à história do local. Ela também é o resultado de diversos hábitos e populações de diferentes lugares do mundo, que foram atraídas de alguma forma para lá e, como consequência, enriquece a troca de experiências.

Mindset

O mindset do Vale do Silício é uma das características mais marcantes da região. A forma de pensar da população da Baía de São Francisco se destaca também por outros fatores, tais como a prática constante da colaboração, a noção de que errar faz parte do aprendizado e a aceitação de inovações com muito menos resistência do que em outras partes do globo.

Um dos lemas mais conhecidos da região é o famoso Fail Fast ou, em português, falhe rápido. A ideia basicamente trata do princípio de que, se você errar, faça-o logo e aprenda com isso o mais rápido possível para se levantar e tentar de novo.

Vilmar Grüttner, do Banco do Brasil, confirma: “Aqui no Vale, a falha é vista de forma positiva, pois prova que você botou a cara a tapa e está tentando de novo, mas dessa vez com o aprendizado do que deu errado. Não é algo que acabou com a sua vida, pelo contrário, é uma etapa importante”.

Cultura Empreendedora

Segundo Rodrigo Espinosa, da George P. Johnson, cultura é algo muito regional e, enquanto Los Angeles respira cinema, o Vale do Silício é pura tecnologia e empreendedorismo. Consequentemente, a grande maioria da população do Vale do Silício está envolvida ou quer se envolver com as novidades: “As pessoas estão sempre procurando pela nova grande ideia. No fundo, todos acreditam que podem contribuir de alguma forma com as inovações”, afirma Jiang, da GSV Asset Management.

As universidades de Stanford e UC Berkeley têm grande influência também. Ambas instituições têm enfoque em empreendedorismo, com aulas que exigem mais participação e colaboração dos alunos. Espinosa, lecionou em UC Berkeley, afirma: “Os cursos são de ponta e oferecem um jeito de estudar e trabalhar muito diferente, exigindo a colaboração e participação dos alunos. Muitas vezes há dificuldade para se adaptar a esse modelo, uma vez que as pessoas estão acostumadas a obedecerem ordens”.

Em resumo

A maioria das teorias apontam a presença de Stanford e Berkeley como driver principal, outras a influência inicial da Hewlett-Packard e sua liderança. A vasta comunidade de investidores de capital de risco definitivamente tem participação expressiva no sucesso e prosperidade do universo empresarial da região.

A cultura liberal/hippie também ganha parte do crédito e muitos dizem que foi o empurrãozinho do governo com os investimento iniciais. Não podemos deixar de mencionar como a diversidade e a presença de imigrantes enriquece culturalmente a região.

Uma vez que o Vale do Silício foi construído, não há dúvida que a abundância de talentos, o mindset e o acesso ao capital ajudam a sustentá-lo. Todos esses fatores fazem do Vale do Silício uma região que acumula, hoje, 3 trilhões de dólares e é lar das maiores e mais inovadoras empresas do mundo.

Se você quer saber mais sobre o Vale do Silício, sua cultura e ambientes, a Innovation Learning Trip é a experiência perfeita para isso! O programa inclui workshops exclusivos, visitas e talks, guiados por profissionais com vivência e experientes nas metodologias, além de participação no maior evento de Marketing, Vendas e Data Driven Business do mundo, o Dreamforce.

A Learning Trip oportuniza aos participantes uma verdadeira reviravolta no modelo mental, requisito fundamental para inovar constantemente, com network qualificado e experiências em grupo participantes de diversas área de negócio.

Innovation-Learning-Trip-Vale-do-Silício

0 Comentários
Faça um comentário

Deixe uma resposta