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Megatendências e o Impacto nos Negócios e na Sociedade

16 de outubro de 2017 - Inovação -

Megatendências são as grandes transformações que estão revolucionando o cenário global de negócios e a própria sociedade. Podemos escolher agir ou reagir a elas.

Como já comentamos muito por aqui, para inovar não é necessário causar grandes revoluções.

Basta um olhar diferente sobre o que nos cerca. Devemos derrubar as verdades absolutas do “sempre fizemos assim” e nos questionar “como podemos fazer melhor?” Trabalhar em times multidisciplinares e praticar a colaboração ajuda muito no processo.

Mudanças internas ou estimuladas por fatores externos ocorrem cada vez mais rápido e o tempo todo. Podemos escolher agir ou reagir a elas. Inovar é preciso, esperar as mudanças é arriscado e o olhar inovador é um exercício que pode e deve ser praticado por todos.

Ao se falar de fatores externos, a atenção em aspectos como o mercado, o comportamento do consumidor, as ações dos concorrentes e as competências internas são alguns dos itens fundamentais que podem trazer insights para a sua empresa promover a inovação. Agora, vamos falar de um aspecto que você não pode deixar de considerar: as megatendências, e como elas estão revolucionando o cenário dos negócios e da própria sociedade.

Como surgem as megatendências

Sabemos que o mundo está em constante processo de transformação. E as megatendências são movimentos impulsionados por estas transformações, em escala global. As megatendências que direcionam o pensamento, os hábitos, os padrões e as atitudes de nossa sociedade.

O conceito de megatendências abrange os padrões ou mudanças de atividades – movimentos – que se refletem por um longo período de tempo e que possuem grande impacto nas empresas e na sociedade como um todo. Elas muitas vezes criam grandes oportunidades ou riscos para os agentes envolvidos.

Se as megatendências são movimentos, estamos falando de algo dinâmico, não é imutável. Ou seja, é um fenômeno que acontece na medida em que há o deslocamento de uma situação. Uma coisa é certa, para inovar é preciso estudar, fazer muito benchmarking, ser colaborativo e desapegado, optar por um mindset de crescimento, ter método e profissionalismo.

Algumas grandes empresas são referências mundias em megatendências, dentre elas citamos PWC, KPMG, EY, Roland Berger e Goldman Sachs.

A empresa PwC realizou um estudo e classificou suas conclusões em cinco tendências globais. Na visão da PwC, todas têm uma influência importante atualmente e continuarão a ter nas próximas décadas. São elas:

  1. Deslocamento do poder econômico global;
  2. Mudanças demográficas e sociais;
  3. Urbanização acelerada;
  4. Avanços tecnológicos; e
  5. Mudanças climáticas e escassez de recursos.

E por que se preocupar com essas mudanças? Em geral, porque representam grandes oportunidades ou riscos para a forma como as empresas interagem com os seus clientes. Elas criam forças transformadoras ou desafios relacionados a novas oportunidades de inovação e criatividade.

Essas tendências também têm um impacto muito amplo e duradouro. Há mais de duas décadas, elas permeiam todos os setores da economia e afetam todos os tipos de organizações.

Urbanização acelerada

A importância das cidades para a economia global tem aumentado a um ritmo sem precedentes. Em 1800, apenas 2% da população mundial viviam em cidades. Hoje somos 50%. A cada semana, 1,5 milhão de pessoas se somam a esse total.

O forte crescimento populacional vai exercer grandes pressões sobre a infraestrutura, o meio ambiente e o tecido social das cidades.

Nova York, Pequim, Xangai e Londres, juntas, precisarão de investimentos de US$ 8 trilhões em infraestrutura ao longo dos próximos dez anos. O número de pessoas que vivem em favelas urbanas aumentou em um terço desde 1990. E embora ocupem 0,5% da superfície terrestre do planeta, as cidades consomem 75% dos seus recursos naturais.

O que esperar?

Acredita-se que as cidades não poderão continuar a crescer da mesma forma, sob pena de se tornarem insustentáveis. Os líderes urbanos precisarão fazer escolhas difíceis se quiserem que suas cidades cresçam, mas permaneçam habitáveis.

Uma opção que alguns líderes urbanos estão adotando é desenvolver uma nova cidade com base nas tecnologias mais modernas: a “Cidade Inteligente”. De Masdar, em Abu Dhabi, a Migaa, perto de Nairóbi, os gastos com as Cidades Inteligentes chegarão a US$ 1 trilhão.

Mas essas cidades fabricadas são sempre uma opção inteligente? Os custos monetários, ambientais e sociais costumam superar os benefícios trazidos pela tecnologia. Masdar deve acabar custando US$ 400 mil por habitante.

Há outra abordagem possível:

Implantar a tecnologia de modo horizontal, não vertical, a fim dar mais recursos aos “cidadãos inteligentes”. Assim, as cidades talvez possam continuar crescendo e se mantendo habitáveis.

Mudanças demográficas e sociais

A população mundial terá mais 1 bilhão de pessoas até 2025, o que elevará o número atual para 8 bilhões. Ao mesmo tempo, estamos vivendo mais e tendo menos filhos. Assim, o segmento da população em crescimento mais rápido será aquele com idade acima de 65 anos.

África jovem, mundo idoso

O ritmo dessa mudança vai variar imensamente entre diferentes regiões. A previsão é de que a população da África dobre até 2050, enquanto a da Europa encolherá. A idade média no Japão em 2050 deverá ser de 54 anos – na Nigéria, será de 21.

Todos os países precisarão adotar políticas ousadas para lidar com essas mudanças demográficas. Na Europa, na Ásia e na América Latina, será preciso aumentar a participação de mulheres, idosos e imigrantes na força de trabalho. A África experimentará um forte bônus demográfico, mas precisará desenvolver as condições políticas certas para obter o
máximo retorno de sua população jovem.

Economias ágeis

As economias emergentes terão de enfrentar seus desafios demográficos em um prazo mais curto. A França levou um século para dobrar a participação dos profissionais acima de 60 anos na força de trabalho (de 7% para 14%) – prevê-se que a China, a Índia e o Brasil façam isso em menos de 30 anos.

O que esperar?

Mas como as tendências demográficas são sempre apresentadas como problemas, as oportunidades talvez sejam negligenciadas. Avalia-se que existem duas fontes de crescimento a serem exploradas pelas empresas:

  • O poder de consumo dos segmentos demográficos em expansão.
  • O potencial inovador de uma força de trabalho diversificada.

As mulheres já controlam dois terços do orçamento doméstico nos países do G7 e, como a diferença de salário delas para os homens está diminuindo, seu poder de compra deve continuar aumentando. O envelhecimento dos baby boomers vai estimular a demanda por serviços de saúde. A população da Nigéria deve ultrapassar a dos Estados Unidos até 2045. Mas há um tema que conecta todas as tendências demográficas a que estamos assistindo: o mundo está se tornando um lugar mais diversificado.

A demografia de uma força de trabalho diversificada

Um conjunto de evidências crescente associa a diversidade no local de trabalho a avanços no desempenho das empresas e da economia. As empresas mais inovadoras já estão se adaptando para explorar a crescente diversidade de força de trabalho em termos de gênero, geografia, idade, sentimentos e valores.

Mudanças climáticas e escassez de recursos

Com o mundo se tornando mais populoso, urbanizado e próspero, a demanda por energia, alimentos e água crescerá. O problema é que a Terra tem uma quantidade finita de recursos naturais para satisfazer essa demanda.

Esgotamento dos recursos

Mantidos os padrões de consumo, a tecnologia e os níveis comprovados de reservas atuais, talvez tenhamos apenas meio século de reservas disponíveis de petróleo e gás. Como fator agravante, a satisfação das nossas necessidades de desenvolvimento é altamente dependente de combustíveis fósseis, o que leva a mais emissões de carbono e a um clima mais quente e instável. No ritmo atual, vamos ultrapassar o orçamento de carbono necessário para manter o aumento da temperatura em no máximo dois graus até 2034.

Interdependente e interconectado

De modo geral, nosso modelo de desenvolvimento econômico está indo além da capacidade do planeta, e a conexão entre as tendências de mudanças climáticas e escassez de recursos está amplificando o impacto disso. As mudanças climáticas podem reduzir a produtividade agrícola em até um terço em grandes regiões da África nos próximos 60 anos, segundo estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O que esperar?

Os impactos extremos resultantes dessa situação estão bem documentados:

um choque político, por meio de um acordo global que penalize severamente as emissões de carbono ou
um choque climático ou de recursos no qual um evento natural cause danos ambientais e econômicos significativos e generalizados.

Mas, na prática, acreditamos que as ações políticas serão imprevisíveis e inconsistentes. Os formuladores de políticas provavelmente serão influenciados por reações de curto prazo aos eventos naturais. As empresas devem assumir um papel de liderança na mitigação dos danos ambientais, tornando suas organizações mais ágeis e resilientes às mudanças trazidas por um cenário político e climático imprevisível.

Um tema essencial

A sustentabilidade desempenhará um papel especialmente importante na maneira como as empresas responderão a essa situação. Faz tempo que a Responsabilidade Social Corporativa deixou de ser um tema “acessório” dos relatórios corporativos. Ela hoje é a lente através da qual uma organização é avaliada por seus consumidores, sua força de trabalho, a sociedade e até mesmo os investidores.

Deslocamento do poder econômico global

Até 2030, estima-se que o poder de compra dos países do E7* ultrapassará o do G7**. Com o aumento da renda nesses mercados, eles terão uma participação crescente na classe média global.

O modo atual de classificar as economias precisa de mudanças

A distinção entre E7 e G7 continua sendo importante, mas as divergências que estão surgindo dentro desses grupos também são. Por exemplo, a economia da Itália tem, em termos reais, o mesmo tamanho do ano 2000, enquanto a do Canadá cresceu mais de 30%. A economia da China triplicou de tamanho, enquanto a do México aumentou “apenas” um terço. Mas os mercados emergentes ainda enfrentam desafios para escapar da “armadilha da renda média” e se aproximar dos padrões dos mercados avançados.

Uma nova visão da economia global

Em uma década, o cenário econômico global terá uma nova configuração:

  • Alguns mercados emergentes ascenderão na cadeia de valor e desafiarão a produção de bens de consumo duráveis de alto padrão dos mercados desenvolvidos atuais. Aos poucos, eles se tornarão os principais mercados para negócios globais.
  • Os mercados de fronteira atuais (F7) serão os emergentes do futuro. Com o tempo, eles se tornarão os mercados para expansão das empresas globais.
  • Uma reserva crescente de talentos altamente qualificados impulsionará esse processo. As multinacionais globais tendem a ser lideradas por pessoas de mercados emergentes e, em consequência, a cultura das empresas se tornará mais diversificada.
  • Com a redução das diferenças salariais, os países desenvolvidos aproveitarão os benefícios da repatriação de operações, se conseguirem manter sua superioridade em serviços como educação e assistência à saúde.

Que mercados têm maior potencial de crescimento?

Diante desse novo cenário, os líderes de negócios atuais precisam analisar mais de perto quais mercados apresentam o maior potencial de crescimento. Na nossa última Pesquisa Global com CEOs, descobrimos que os líderes corporativos brasileiros já estão fazendo isso. A Indonésia e o México estão entre os principais mercados citados como importantes para as suas perspectivas de crescimento nos próximos 12 meses.

*Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia

** Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido

Avanços tecnológicos

Segundo os CEOs, a tecnologia é uma das forças mais disruptivas dentro de suas organizações. O tempo necessário para transformar uma tecnologia revolucionária em uma aplicação para o mercado de massa está encolhendo e, ao mesmo tempo, reconfigurando toda a economia.

Avanços em larga escala

O preço das novas tecnologias continua a cair de forma acentuada; o custo do sequenciamento de DNA por genoma recuou de US$ 96 milhões em 2001 para menos de US$ 4 mil em 2014. As novas tecnologias não são mais privilégio apenas das economias desenvolvidas, e o tempo necessário para que uma inovação atinja o mercado de massa está diminuindo. Nos Estados Unidos, o telefone levou 76 anos para alcançar metade da população; o smartphone fez isso em menos de 10 anos.

O impacto da digitalização foi especialmente profundo. A tecnologia baseada na Internet gerou um valor extraordinário: em menos de 10 anos desde sua oferta pública inicial de ações, a receita do Google cresceu de US$ 3 milhões para US$ 60 bilhões.

O que esperar?

O potencial transformador da tecnologia digital na próxima década é imenso. No mercado consumidor, acreditamos que essa transformação se realizará em três ondas digitais:

  • A Primeira Onda Digital: “outro canal” ou “comércio eletrônico” para venda e comunicação. Isso já está acontecendo e até mesmo as empresas mais tradicionais estão entrando nessa onda.
  • A Segunda Onda Digital: a tecnologia digital deixará de ser apenas um canal e começará a facilitar uma economia de resultados, na qual as informações compartilhadas por dispositivos conectados ajudarão os consumidores a perseguir os seus interesses – podemos ver isso acontecendo agora, por exemplo, com o dispositivo Nike Plus.
  • Mas acredita-se que a Terceira Onda Digital está prestes a começar e será impulsionada por consumidores que reassumirão a sua identidade digital e saberão extrair valor dela. Isso se dará por meio de “marcas conhecidas”, que agreguem demanda de diferentes grupos de consumidores ou estilos de vida, fornecendo plataformas para gerenciar impactos e consumo digital.

As empresas descobrirão novo valor nesse mercado em transformação ao reunirem os quatro aspectos principais da tecnologia digital: Rede Social, Mobilidade, Análise e Nuvem. Elaborar uma estratégia digital não será mais suficiente para ter sucesso nesse mundo. As empresas precisarão ter uma estratégia corporativa adequada à era digital.

Como transformamos megatendências em oportunidades de negócios?

Tecnologias exponenciais estão influenciando setores tradicionais que não se sentiam ameaçados por elas há apenas alguns anos. Observe a disrupção pela qual estão passando indústrias tradicionais como livros, jornais, música, filmes, táxis, hotelaria, automóveis, câmeras fotográficas etc.

É essencial que a estratégia da empresa esteja fundamentada em tendências de mercado que estão acontecendo em outros países ou que sejam consideradas viáveis para os próximos anos.

A partir da análise das megatendências, é essencial criar hipóteses de apostas na estratégia da empresa. A empresa precisa colocar um olhar em possíveis oportunidades de produtos, serviços, parcerias estratégicas, aquisições e etc, durante a pesquisa.

Por fim, fica muito evidente as implicações dessas mudanças – e movimentos – que são importantes para toda a sociedade. O questionamento que devemos fazer é: O que os líderes empresariais e tomadores de decisões podem fazer para prosperar na próxima década?

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